Arte e Cultura    
   
São Francisco, O Romance de Nós Mesmos
     
Autor: Edison Zenóbio  
     

Num longo e caudaloso artigo publicado pelos jornais da Cadeia Associada, Assis Chateaubriand comparava o Rio São Francisco ao Nilo, rio da África, o mais extenso do mundo, que avança solitário através do deserto até o Cairo, drenando terras do Egito, da Tanzânia, Sudão e Etiópia, numa área notável pela fertilidade dos aluviões.

Suas enchentes dependem das chuvas que caem no planalto etíope, elevando o nível do rio a sete metros acima do nível normal e inundando as planícies marginais. De retorno, as águas deixam sedimentos extraordinariamente férteis, que justificaram a frase de Heródoto: “O Egito é uma dádiva do Nilo.”

Foi naturalmente pensando nisso que Assis Chateaubriand imaginou o São Francisco como uma dádiva brasileira, irrigando terras e gerando vida.

O São Francisco, exatamente por isso, precisa ser preservado, recuperado, transformado e salvo. Não é propriamente um rio; é um romance, a eterna história do coração humano. A história fala-nos dos outros, o romance fala-nos de nós mesmos. 

     
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