Arte e Cultura    
   
O Planeta Terra é de Plástico!
 
Autor: Vicente Ines Quintão
   
Há alguns dias, assisti a um documentário* que apresentava recente descoberta científica sobre as propriedades nocivas dos materiais plásticos. O filme é surpreendente, chocante e estarrecedor. As pesquisas apontaram a produção e o uso do plástico como responsáveis por mutações genéticas em homens e em animais, além de diminuir, para menos da metade, a produção do número de espermas nos homens, e também de reduzir a fertilidade feminina, consideravelmente. Segundo os estudos, todo e qualquer produto com base em polímeros plásticos contêm substâncias cancerígenas prejudiciais à saúde humana.
O planeta é de plástico!
 
Saí da sala de aula, onde se realizou a sessão, com a pulga atrás da orelha. As imagens eram muito fortes e não deixavam dúvidas. Cientistas documentaram inúmeros casos em cobaias que apresentavam os mesmos sintomas que os humanos: intoxicação por contaminação com estrogênio, um dos componentes presentes nos materiais plásticos. Nos animais submetidos aos testes em laboratório, ocorreram mutações genéticas dos órgãos sexuais (atrofia ou bissexualidade) e/ou deformação de outros membros. As causas: exposição e contato com o estrogênio. Segundo o dicionário Aurélio, estrogênio é a designação genérica para os hormônios responsáveis pelo desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários na mulher e pelo aparecimento, durante o ciclo menstrual, das condições adequadas à fertilização, implantação e nutrição do embrião.
 
O plástico pode ser prejudicial ŕ vida humana e ao planeta Terra
Em casa, ao usar o computador, comecei a pensar nas incontáveis formas que o plástico adquire e de como elas estão cada vez mais presente no dia a dia de nossas vidas. Desviei os olhos da tela de raios catódicos e percebi que tanto o monitor quanto a torre, o mouse e o teclado, além do disquete e do cd, todos apresentavam a composição externa com essa matéria sintética - idem em várias peças internas. Também os periféricos e os acessórios - scanner, impressora, cartuchos de tinta etc - são produzidos e embalados em caixas com invólucros plásticos.
 

Calcei os chinelos industrializados à base de matéria plástica e me dirigi à cozinha numa bermuda de material sintético. Abri a geladeira (de relance, olhei para os pegadores do fogão) e notei que os detalhes, as divisórias e as gavetas internas do refrigerador eram moldados em plástico. Ao olhar as frutas e as verduras acondicionadas num compartimento transparente de resina, tomei consciência de que, nas compras em mercados e supermercados, as embalagens de papel estão praticamente em extinção. Gradativamente foram substituídas por sacos e sacolas plásticas. 

Observei as embalagens da manteiga, do iogurte, do suco industrializado e tomei água mineral que chega às casas em grandes litros plásticos. Lembrei-me de que, hoje, até a canalização das águas que servem às residências, comércios e indústrias estão correndo em tubos de pvc, ao invés dos tradicionais "galvanizados". Ou seja, um outro tipo de matéria plástica sintética debaixo da terra, com possibilidades de contaminar o meio ambiente.

 

Passei os olhos pela dispensa e me deparei com mais plástico. Com exceção das latas e vidros (nestes últimos, todos tinham tampas de plástico), praticamente todos os outros produtos alimentícios e de limpeza são embalados com plástico. Mesmo nas latas, encontramos esse polímero em esmaltes sintéticos que protegem, colorem, desenham logomarcas, dão nome e descrevem os produtos.

Em praticamente todas as construções, em algum lugar (interno ou externo), as tintas sintéticas estão presentes e carregam as preferências de cada um, fazendo a diferença nas cores e tonalidades "acrílicas" das paredes, das janelas, das portas e/ou de um outro detalhe qualquer. Também está presente nas pinturas dos carros, das motos, das bicicletas e em utilitários domésticos (batedeiras, liquidificadores, enceradeiras, na capa de proteção dos fios que conduzem eletricidade) etc.

O plástico polui o meio ambiente e pode levar até 500 anos para se decompor
 

Fui ao banheiro. O armário no qual ficam guardados o fio dental, a escova de dentes, o pente, os xampus e cremes, bem como as embalagens de todos esses produtos, são de plástico. Desliguei a luz em interruptor de polipropileno e me lembrei que ele está presente também na lâmpada fluorescente, na armação e no invólucro do "starter".

 
Até para evitar as DSTs usamos camisinhas de plástico!

Peguei uma caneta para escrever o rascunho dessa crônica num caderno de capa plastificada e observei que, com exceção à ponta e à esfera, a composição da esferográfica é 100% de plástico. E refleti sobre a impossibilidade de contato com esse material. Até o dinheiro - as notas e os cartões de crédito - é cunhado em cédulas e em códigos digitais inseridos em cartões magnéticos de bases plásticas. 

 

E pensei: pelo menos o amor é livre! Mas, lembrei-me de que por causa da promiscuidade humana, também o ato sexual está "envolvido" com o látex, sob pena de adquirirmos bactérias provenientes do cachorro (gonococos) ou vírus de um determinado macaco africano (HIV), dentre outras doenças sexualmente transmissíveis. Putzzz! 

"Você já conhece os sarcófagos em acrílico transparente ou em cores diversas? Não? Aguarde em breve este lançamento.... Ecologicamente corretos, em plástico biodegradável!"


*Texto baseado em documentário produzido pela BBC de Londres. O vídeo relata recente pesquisa (2004) sobre os efeitos dos agrotóxicos e dos resíduos de plástico sobre a fertilidade dos homens e dos animais silvestres, além de comprovar o aumento da incidência de diversos tipos de cânceres e de anomalias para a espécie humana. Atualmente, essas experiências estão publicadas no livro “O Futuro Roubado”, assinado pelos autores: dr. Theo Colborn, dra. Diane Dumanosk e dr. John Peterson – Editora L&PM, de Porto Alegre.

 
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