| Editorial | ||
| Crônica: "Advogado não é doutor" | ||
Era para ser um dia comum, se não fosse o fato da queda de uma das rodas do carro num buraco público. Melhor dizer, numa cratera do Estado. Aliás, duas cavidades em seqüência: além de estourar o pneu, quebrou uma roda dianteira, de liga leve (imprópria para as ruas e estradas mineiras). Por causa dos impostos pagos (IPVA, CIDE, CPMF, seguro obrigatório, taxa de “licenciamento”, ... ufa!), as via públicas deveriam ser locais a oferecer, efetivamente, boas condições de rodagem. Enquanto esperava os reparos numa loja especializada, absorto em pensamentos “esburacados”, injuriado por arcar com os custos do conserto (pneu, roda, alinhar e balancear, tempo ...) devido à ineficiência da máquina administrativa dos governos, tanto federal quanto estadual e municipais, quase não percebi a intervenção de um jovem a interromper meu ruminar de blasfêmias e de impropérios anti-governamentais. Logo na apresentação, ele me lançou um belo cartão de visitas, cujas linhas figuravam o nome de uma empresa de advocacia e um “doutor” antes do nome do fulano. Admirado, por parecer-me uma pessoa bem jovem, cumprimentei-o e, curioso, perguntei-lhe qual a tese havia defendido no mestrado. Mas, ele respondeu-me que não tinha mestrado; e questionei: se não fez o mestrado, muito menos o doutorado, então, por que o “dr” antes do nome? E antes que ele dissesse qualquer coisa, completei: isso é falsidade ideológica, um advogado se chamar de doutor, sem o ser!!!??? O rapaz trocou de cor várias vezes antes de se afastar de onde eu estava, sem uma resposta que me satisfizesse. Troquei os pensamentos ao me lembrar de uma aula de história na universidade, sobre o tempo do Império, quando os únicos cursos superiores eram de advocacia, medicina e engenharia, na Europa: em qualquer um dos casos, devido às dificuldades e escassez de educação e de cultura do povo na época, os formandos eram considerados doutores. Aliás, até aos dias atuais, qualquer pessoa que tenha dinheiro ou “status” ainda é chamado de "doutor" (ou de “coronel” - mesmo sem estudos). Tstststststs. Para um advogado ser chamado de doutor, assim como qualquer outro profissional formado em universidades, ele deve completar o bacharelato, defender uma tese de mestrado numa língua estrangeira e, em seguida, fazer o doutorado, num segundo idioma. Isto é, um doutor tem conhecimento de pelo menos duas línguas estrangeiras. A exceção é o caso do médico: ele é doutor depois que o estudante forma e passa pela residência de cinco anos em algum hospital. Fora isso, é balela! São pessoas que se autopromovem. E caí na risada: “o mundo é bão, Sebastião ...” |
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| Veja
o que diz o “Aurélio” Doutor: (ô). [Do lat. doctore.] S. m. Aquele que completou o doutorado; Aquele que se diplomou numa universidade. [Cf. licenciado (4) e mestre (13)]; Homem muito douto; sábio; erudito; Teatro. Personagem-tipo da commedia dell'arte, que representa um membro de qualquer profissão satirizada, em especial a medicina e a advocacia. Doutor honoris causa: aquele que recebeu título universitário sem curso nem exame, como pura homenagem. Doutora:S. f. Mulher que recebeu o grau de doutor; Pej. Fem. de doutor. |
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